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Iniciativa beneficiou mais de 1,7 mil estudantes e promoveu melhorias estruturais e educativas em 25 escolas do campo da rede pública

O município de Barcarena celebrou a conclusão do projeto Água, Saneamento e Higiene na Escola, iniciativa que ampliou o acesso de crianças e adolescentes a serviços essenciais em escolas rurais do município. Promovido pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) e implementado pelo Instituto Peabiru, o projeto foi desenvolvido por meio de uma parceria estratégica com o Instituto Aegea, braço de impacto socioambiental da Aegea, e contou com apoio institucional da Prefeitura de Barcarena, por meio da Secretaria Municipal de Educação (SEMED), e do Governo do Estado do Pará, via Secretaria de Estado de Educação (SEDUC).

O evento foi realizado no dia 24 de abril, no Auditório da Escola Municipal de Ensino Fundamental Prof. Aloysio da Costa Chaves e marcou o reconhecimento de 25 escolas que passaram por melhorias estruturais e ações educativas. As instituições foram reconhecidas como “Escola Três Estrelas”, metodologia internacional do UNICEF que avalia e incentiva avanços progressivos nas condições de água, saneamento e higiene no ambiente escolar. Entre os critérios considerados estão o acesso à água segura, a existência de banheiros adequados, a promoção de práticas de higiene e a gestão sustentável desses serviços.

Para a gestão municipal, a iniciativa representa um avanço importante na garantia de direitos da população. “Este projeto reforça o nosso compromisso com a educação e com a qualidade de vida das crianças e adolescentes de Barcarena, especialmente nas áreas rurais. Investir em água, saneamento e higiene nas escolas é investir em saúde, dignidade e no futuro do nosso município”, afirmou o prefeito da cidade, Renato Ogawa.

Além do prefeito, a cerimônia contou com a presença do secretário municipal de Educação, Edson Cardoso, do presidente do Instituto Aegea, Édison Carlos, da chefe do escritório do UNICEF no Pará, Mariana Machado Rocha, de representantes da Secretaria de Estado de Educação (SEDUC) e do chefe do Programa de Água, Saneamento e Higiene, Clima, Meio Ambiente e Desastres do UNICEF no Brasil, Gregory Bulit.

“Como Aegea, sabemos o quanto faz diferença quando as pessoas passam a ter acesso a uma água tratada e seus esgotos coletados e tratados. Muda a vida para melhor, principalmente nas escolas ao assegurar um ambiente mais seguro para professores e alunos poderem aprender melhor, conviverem entre si e com suas comunidades. Esse é o tipo de melhoria que parece simples, mas que resulta em melhor aprendizado escoar e isso acompanhará crianças e adolescentes por toda a vida. Sendo assim, é uma grande alegria para a Aegea e o Instituto Aegea estarmos com o UNICEF na conclusão deste projeto em Barcarena, pois é uma prova concreta do nosso compromisso de deixar um legado real para a cidade e suas comunidades”, disse Édison Carlos, Presidente do Instituto Aegea.

Acesso à água nas escolas

Água segura, saneamento e higiene adequados são fundamentais para a saúde, o desenvolvimento cognitivo e a permanência das crianças na escola. A falta desses serviços está diretamente associada ao aumento de doenças infecciosas, problemas nutricionais e ausência escolar.

Segundo dados do Censo Escolar, de 2024 para 2025, o número de escolas públicas ativas sem nenhum acesso a água caiu pela metade, passando de 2.512 escolas (que atendiam 179 mil estudantes) para 1.203 escolas (com 75 mil estudantes). Embora haja melhorias significativas nos dados, ainda persistem desafios para alcançar a totalidade das escolas brasileiras com acesso à água. No estado do Pará, a situação requer atenção. Segundo dados do Censo Escolar 2024, em 99 municípios paraenses, foram identificadas 1.879 escolas públicas estaduais e municipais com acesso inadequado à água, o que corresponde a 20,4% do total de escolas do estado. Essas unidades concentram aproximadamente 142 mil matrículas, revelando a magnitude do impacto sobre crianças e adolescentes.

A inadequação atinge de forma desproporcional territórios rurais, que respondem por parcela expressiva das escolas afetadas. O perfil das matrículas evidencia ainda um recorte étnico-racial relevante: cerca de 60% destes alunos são negros, reforçando que a precariedade do acesso à água nas escolas do Pará se sobrepõe a desigualdades territoriais, étnicas e socioeconômicas já existentes.

“Barcarena é uma cidade com forte presença econômica e social e que tem se destacado como modelo para outros municípios da região. No entanto, apesar de avanços recentes, a realidade da Amazônia, do Pará nos lembra que ainda há muito a ser feito para garantir que cada criança e cada adolescente tenham acesso aos seus direitos fundamentais. O UNICEF está comprometido em apoiar governos, sociedade civil e setor privado para que possamos transformar essa realidade, com foco especial nas crianças e adolescentes em situação de maior vulnerabilidade”, destacou Mariana Machado Rocha, chefe do escritório do UNICEF no Pará.

Neste cenário, a iniciativa foi estruturada a partir de um processo contínuo de mobilização, formação e apoio técnico às comunidades escolares de Barcarena. Das 70 escolas do campo (municipais e estaduais) do município, 62 manifestaram interesse em participar das atividades formativas, dando início a uma jornada que envolveu a formação de gestores e professores no tema de água, saneamento e higiene, a realização de um autodiagnóstico das condições destas escolas e a elaboração de propostas de melhoria pela própria comunidade escolar.

Ao longo do processo, as escolas passaram por 55 sessões de mentoria individual e quatro em grupo. 33 delas também receberem visitas de mobilização do Instituto Peabiru e UNICEF. Esse acompanhamento próximo resultou na construção e submissão de 61 projetos pelas próprias unidades escolares – um passo importante para fortalecer a autonomia das equipes na identificação de problemas e na proposição de soluções.

O processo de avaliação dos projetos submetidos foi conduzido por uma banca técnica composta por representantes do UNICEF, Aegea e SEMED. A comissão analisou as propostas com base em critérios previamente definidos, como viabilidade técnica, necessidades no acesso a água, banheiros, esgotamento sanitário e higiene, engajamento das escolas na elaboração dos projetos, e alinhamento com os objetivos do projeto. Dentre as 61 propostas avaliadas, 25 escolas foram selecionadas para receber intervenções estruturais.

As melhorias implementadas foram adaptadas às diferentes realidades do território, incluindo escolas localizadas em áreas rurais com acesso terrestre e em regiões insulares. As reabilitações de água e saneamento e envolveram desde sistemas de captação de água (como soluções de captação de água da chuva e de fontes superficiais) até intervenções em reservação, distribuição e tratamento, com a instalação de cloradores para garantir água potável. Também foram realizados aprimoramentos em sistemas de esgotamento sanitário, além da construção e requalificação de banheiros e instalação de bebedouros e estações de lavagem de mãos.

Ao todo, o projeto impactou diretamente 1.751 crianças e adolescentes, contribuindo para a criação de ambientes escolares mais seguros, saudáveis e adequados ao processo de aprendizagem.

Educação para autonomia mudança de comportamento

Além das melhorias de infraestrutura, a iniciativa investiu em ações educativas, desenvolvidas com estudantes, professores e gestores escolares, com o objetivo de fortalecer capacidades locais e promover mudanças sociais de comportamento.

Foram realizadas oficinas de lavagem das mãos com estudantes da rede pública municipal, reforçando uma prática simples, mas essencial para a prevenção de doenças e promoção da saúde no ambiente escolar. Também aconteceram oficinas de dignidade menstrual com adolescentes, contribuindo para o enfrentamento de tabus, acesso à informação e permanência das meninas na escola.

A iniciativa também incluiu oficinas de dignidade menstrual com adolescentes da rede pública estadual, promovendo informação sobre o ciclo menstrual, autocuidado e redução de estigmas. A iniciativa também fortaleceu o debate nas escolas e divulgou o Programa Nacional de Dignidade Menstrual, ampliando o acesso a absorventes e garantindo mais saúde, bem-estar e permanência escolar.

Como parte final dessa estratégia de fortalecimento de capacidades das comunidades escolares, a programação de encerramento contou também com uma formação sobre o Programa Dinheiro Direto na Escola (PDDE), voltada a professores das 61 escolas que participaram da primeira fase da iniciativa. A atividade foi realizada com apoio de parceiros do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), autarquia federal responsável pela execução de políticas educacionais, e do Colégio Nacional de Gestores Municipais de Assistência Social (CONAC).

A formação teve como objetivo apoiar as escolas no acesso a recursos públicos, capacitando profissionais para que possam elaborar e submeter seus próprios projetos de melhoria, inclusive na área de água, saneamento e higiene, garantindo a continuidade das transformações iniciadas com a iniciativa do UNICEF.

“Este projeto em Barcarena mostrou que soluções adaptadas aos territórios, aliadas ao engajamento das comunidades escolares, podem gerar impactos concretos e duradouros”, afirmou Gregory Bullit, chefe do Programa de Água, Saneamento e Higiene, Clima, Meio Ambiente e Desastres do UNICEF no Brasil.

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